Irmãos: Dividir o mesmo quarto ou separá-los? Eis a questão.

A família vai crescer. A chegada de um bebê causa uma revolução da vida do casal, na rotina da casa e traz novas reflexões. Como será a relação entre os irmãos? O que fazer para que sejam amigos desde sempre? Será que vão se divertir juntos?

É normal que você crie grandes expectativas para a relação entre as crianças. A ideia de dividir o mesmo ambiente pode vir pela para preservar o quarto/escritório da casa, pela falta de espaço ou para reforçar o vínculo entre as crianças.

Será que colocá-los no mesmo quarto vai ser realmente uma boa estratégia para isso? Não há regra. Aliás, quando se fala de relações humanas, não existe O caminho certo, ou o ÚNICO caminho.

Isso vai depender muito da dinâmica familiar de vocês e da personalidade das crianças.

Vamos então refletir juntos cada um desses cenários e quem sabe eu consigo te ajudar nessa decisão!

QUANDO A ÚNICA OPÇÃO É DEIXÁ-LOS JUNTOS.

Se por acaso você não tiver outra opção, que não a de deixá-los no mesmo quarto. Ok. Lide com isso da maneira mais positiva possível e comece desde cedo a ensinar sobre empatia e respeito para que ninguém tenha seu espaço e seus direitos invadidos.

Aproveite para ensiná-los sobre divisão de espaço, limite, respeito e senso de coletividade. Vai ser preciso muita atenção para que um não ceda sempre aquilo que o de personalidade mais forte impuser. Confie, com o seu direcionamento e presença, tudo vai dar certo!

foto: Renata D Almeida
Foto: Quarto dos irmão Luna e Raul | Projeto Codecorar | Enxoval Pilulito

POSSO ESCOLHER, MAS NÃO SEI O QUE FAZER.

Você tem mais um quarto à disposição e ainda assim pensa em manter os irmãos no mesmo quarto? Tudo bem! Vale pensar em algumas questões para que tome essa decisão de maneira consciente.

Se os irmãos são de gêneros diferentes, vale pensar em deixá-los juntos apenas durante a infância. Essa pode ser uma experiência bastante positiva, especialmente se diferença de idades não for tanta. É comum que ao entrarem na pré adolescência os dois sintam necessidade de ter seu próprio espaço e de maior privacidade.

Irmãos com pouca diferença de idades (ainda que de gêneros diferentes) costumam ser mais afinados um com o outro, já que em geral têm mais interesses em comum. Quando a diferença entre eles é maior do que 5 anos, pode ser que haja conflitos com mais frequência, já que estão em momentos muito distantes um do outro.

Mas não se preocupe, como disse lá no início não há regras fechadas quando se trata de relações humanas. A forma como você irá conduzir os conflitos e a personalidade deles pode tornar tudo isso muito mais fácil.

Trago aqui alguns pontos para ajudar você a tomar a sua decisão. Ou apenas refletir para viver essa etapa de maneira consciente e positiva.

DIVIDINDO O MESMO QUARTO E…

Desenvolvendo a cumplicidade.

É provável que eles compartilhem frequentemente algo que tenham vivido, conflito com um amigo, problemas na escola, uma descoberta… essa parceria vai se fortalecer até a fase adulta.

Tornando o espaço menor e mais limitado.

Lembro do meu irmão do meio reclamando disso. Ele dormia na parte de baixo da bicama (que precisava estar fechada ao longo do dia) e o mais velho nunca deixava ele deitar na cama de cima. Vale pensar em organizar de maneira que todos possam aproveitar da mesma maneira o quarto.

Conhecendo mais o outro.

Aos poucos os dois vão encontrar suas afinidades e descobrir maneiras de se divertirem juntos, mesmo sem a presença dos pais ou de terceiros.

Com o passar dos anos, uma maior necessidade de privacidade.

A falta de privacidade, à medida que forem crescendo, pode se tornar um problema importante. Como disse lá no início, na infância essa questão da privacidade não vai aparecer muito, mas na adolescência o cenário muda bastante. Especialmente se falamos de crianças com gêneros diferentes ou idades distantes.

Entendendo e respeitando os limites do outro.

Compartilhar o mesmo quarto é uma boa oportunidade para você desde cedo reforçar aquela frase antiga: “o seu direito termina quando começa o direito do outro.” Por exemplo, se um quer ligar a TV de manhã cedo enquanto o outro ainda está dormindo. Aproveite para trabalhar habilidades importantes, como: empatia, generosidade, limites, respeito… vale pensar em sentar desde cedo com os dois e juntos estabelecerem pontos importantes para uma boa convivência.

Lidando com vontades e momentos diferentes.

Na hora do estudo, compartilhar o ambiente pode atrapalhar a concentração. Pode ser que um precise estudar e o outro esteja brincando. Vale pensar em organizar um espaço reservado para o estudo, ou criar pequenos combinados para esse momento.

 

Diminuindo as brigas

Verdade, mas então se estiverem em quartos separados as brigas serão menos frequentes? Ou a criança não vai aprender a dividir? Eles não irão estabelecer cumplicidade?

Nada disso! Você, pai e mãe, é figura importante na relação entre os irmãos. A maneira como você irá direcionar os conflitos, pode ou não contribuir para uma relação harmoniosa entre as crianças.

Brigas mais constantes.

As brigas entre irmãos vão acontecer, não adianta idealizar algo diferente. Como escrebi ao lado, elas são até saudáveis para o desenvolvimento. Mas é inevitável pensar que elas poderão ser mais constantes se estiverem compartilhando o mesmo espaço. Afinal, quanto mais se relacionarem, mais oportunidade para discordarem.

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Fotos: Quartos dos irmãos Gustavo e Laís | Projeto La Na Teka| Enxoval Pilulito

Então, se estiverem em quartos separados as brigas serão menos frequentes? Ou a criança não vai aprender a dividir? Eles não irão estabelecer cumplicidade?

Nada disso! Você, pai e mãe, é figura importante na relação entre os irmãos. A maneira como você irá direcionar os conflitos, pode ou não contribuir para uma relação harmoniosa entre as crianças.

A verdade é que não existe situação perfeita ou ideal. Não existe receita infalível. Pense no que é possível agora por ai e no que funciona melhor para você e sua família. Seja qual for a sua opção, vá sem neuroses e com a certeza de que com amor e boa vontade tudo sempre se ajeita.

E na sua casa, as crianças dividem o mesmo quarto ou possuem quartos separados?
Compartilhe com a gente a sua experiência, a forma que como está hoje tem funcionado bem?


Este artigo foi escrito por  Maria Cecília Helal

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Há 17 anos, Cecília transforma o ato de educar em uma oportunidade de fortalecer famílias. Acolher pais e mães nos seus papeis e falar sobre a importância de serem adultos saudáveis emocionalmente faz parte do olhar como educadora da Cecília, entendendo juntos sobre situações da rotina – tão desafiadoras – convidando-os a reverem atitudes e repensarem hábitos intuitivos ou herdados sobre o educar.

Cecília é mãe do Miguel e da Letícia e com muita empatia divide sua experiência no Instagram através do @ceciliahelal, sendo hoje um espaço para acolher pais e encorajá-los no educar com respeito, amor e limites.

1 comentário Adicione o seu

  1. Leonora Horta disse:

    Muito bem analisado, Cecília. Aliás, como tudo o q você escreve. E você tem toda a razão: não há regra, não há fórmula magica: a harmonia fraternal não depende de gênero ou faixa etária.Aqui em casa, meus dois filhos homens , dividiam o mesmo quarto. Um ano de vida os separava. Mesmo gênero, mesmos interesses e vivências. Entretanto, quase sempre se desentendiam pq o do meio se recusava a aceitar as imposições do mais velho.

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